A relação de amor e ódio por Bakhtin – I

Volto a escrever após me sentir incentivado pela leitura do blog de um amigo,http://pelife.blogspot.com/, amigo esse lá do Fluonline – http://www.fluonline.com.br – fórum de torcedores do Fluminense do qual participo há 5 anos (sem contar a fase Fluforum, com quase os mesmos participantes). Quem  chegou a ler os primeiros tópicos que eu postei aqui neste blog deve estar tentando imaginar que raios é esse nome que aparece no título. Ou mesmo quem conhece Bakhtin, pensará o que aconteceu para eu decidir postar algo sobre o filósofo russo depois de ter postado por último sobre o Fernando Henrique, goleiro afastado do Fluminense há alguns meses (acho que a campanha do blog deu certo).

Como estou com preguiça de pensar no que escrever para falar sobre Bakhtin, e também por não me considerar nem de longe um expert Bakhtiniano, vou usar o velho wikipedia para esse fim…  e depois vamos ao que interessa. (tá bom, nem sempre o wikipedia é confiável, mas pelo que li, não tem nada de errado no texto).  Mas só postarei o princípio do artigo:

“Nascido em Orel, localidade a sul de Moscovo, de família aristocrática em decadência, cresceu entre Vínius e Odessa, cidades fronteiriças com grande variedade de línguas e culturas. Mais tarde, estudou Filosofia e Letras na Universidade de São Petersburgo, abordando em profundidade a formação em filosofia alemã.

Viveu em Leningrado após a vitória da revolução em 1917. Entre os anos 24 e 29 conheceu os principais expoentes do Formalismo russo e publicou Freudismo (1927), O método formal nos estudos literários (1928) e Marxismo e Filosofia da Linguagem (1929), sendo esta última talvez a sua obra mais célebre. Assinada com o nome de seu amigo e discípulo Volochínov, só a partir dos anos 70 teve difusão e reconhecimento importantes, e apenas recentemente é que veio a ser confirmada a sua autoria (Bakhtin concedeu a atribuição de diversos de seus textos a colegas). Em 1929, foi obrigado ao exílio interno no Cazaquistão acusado de envolvimento em actividades ilegais ligadas à Igreja Ortodoxa, o que nunca viria a ser demonstrado. Ficaria no Cazaquistão até 1936.

Mais tarde, ver-se-ia forçado ao exílio a Saransk (capital da Mordóvia) durante a purga de 1937. Em 1941 lê a tese de doutoramento no Instituto Gorki, de Moscovo, voltando a Saransk como catedrático após a Segunda Guerra Mundial , e sendo redescoberto como teórico por estudantes da capital russa a seguir à morte de Estaline e sobretudo na década de 60. Os seus trabalhos só foram conhecidos no Ocidente progressivamente a partir da década de 80, atingindo grande prestígio e referencialidade póstuma nos anos 90 e até à actualidade.

Seu trabalho é considerado influente na área de teoria literária, crítica literária, sociolingüística, análise do discurso e semiótica. Bakhtin é na verdade um filósofo da linguagem e sua lingüística é considerada uma “trans-lingüística” porque ela ultrapassa a visão de língua como sistema. Isso porque, para Bakhtin, não se pode entender a língua isoladamente, mas qualquer análise lingüística deve incluir fatores extra-lingüisticos como contexto de fala, a relação do falante com o ouvinte, momento histórico, etc.

(…)

Conceitos fundamentais associados à obra de Bakhtin incluem o dialogismo, a Polifonia (linguística), a heteroglossia e o carnavalesco.

Todos eles se afirmam na sua teoria literária, formulada principalmente na sua tese de doutoramento: A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais (1941), em que rechaça a norma unívoca e a rigidez dos padrões e estilos. Reivindica a ambivalência, o discurso carnavalesco, amplo, polifónico e dialógico. Opõe-se à unidirecionalidade da retórica clássica e reivindica uma interpretação participativa, integradora, social, diversa e múltipla na construção da obra literária.”

Após essa encheção de linguiça, vou explicar. Encontrei hoje uma amiga, Aline, que estudou comigo na Pós-Graduação, e conversava sobre meu interesse em fazer uma disciplina como crédito avulso numa disciplina do Mestrado em Literatura de Língua Inglesa na UFF, mas que ainda dependia de conseguir liberação ou troca de horário no dia da tal disciplina. Eu já havia enviado para essa amiga o organograma da tal disciplina, que versava sobre a literatura contemporânea norte-americana, e nele havia uma carga de leitura incrível, não só de textos literários, mas também, e principalmente, de textos teóricos. Dentre os teóricos, tinha, dentre outros, Jameson e o nosso amiguinho dali de cima. Conversamos então sobre a loucura que era na Graduação, e porque também não dizer na Pós, de ler Bakhtin, de entender Bakhtin.  Nem todos os professores ousavam de colocar suas obras  em suas bibliografias básicas, possivelmente porque temiam que encontrassem alunos que viessem com questionamentos que não pudessem ser respondidos.  Não li tanto sobre ele, mas do pouco (talvez seja muito para alguns),  sempre tinha mais perguntas do que respostas.  A sua nacionalidade já servia como algo que, de certa forma, causava medo em quem se confrontava com algum livro dele.   Isso é verdade. Pensem bem como deve ser a recepção de um estudante ao saber que vai estudar, sem saber o nome, um autor francês ou inglês e a que ele terá se esse autor for russo.   Claro que isso vem mais de um pré-conceito internalizado por muita gente, mas não é desprezível.  Os primeiros contatos com Bakhtin, pelo menos os momentos que tive e os que observei de alunos da UFF ou de depoimentos de vários mestrandos em Educação, a cujas defesas de dissertações eu assisti lá na UFF, davam também a idéia de um autor com idéias super interessantes, mas que precisavam de tempo para melhor assimilação.

(continua no próximo post)

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