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Clube de Leitura: Grande Sertão Veredas

março 26, 2010

Hoje no Clube de Leitura de Icaraí o debate será sobre o grande romance de Guimarães Rosa, Grande Sertão Veredas.  Esperamos que o brilhantismo da obra inspire os participantes.

Para os que se interessem, há uma postagem sobre o Clube de Leitura, se não me engano, em fevereiro. Ele funciona todas as últimas sextas-feiras do mês, das 19 horas às 21:30, com o debate de um livro que é escolhido pelos participantes do clube.  Por enquanto estamos realizando os encontros no Saguão da Reitoria, enquanto as obras da Editora da UFF não concluem.

Andar duas luas (Walk two moons) – Sharon Creech

março 19, 2010

Quando esse livro foi parar nas minhas mãos (sim, esse título acima é referente a um livro, e o nome ao lado é o da autora), foi meio sem querer.  Era o último de uma lista, ou seja, ninguém tinha pegado em duas semanas seguidas.  Fiquei meio desconfiado, e mais ainda quando meu preconceito bateu por saber que a autora era americana.  Ninguém ali na turma de Literatura Infanto-Juvenil a conhecia, mas havia a indicação de um importante prêmio do referente americano ao nosso FNLIJ.  Besteira minha. Na Graduação, curti tanto a literatura norte-americana quanto a inglesa, e se for andar bem mais p’ra trás chego a 1980 quando um outro livro, também de uma autora americana, acabou parando sem querer nas minhas mãos, e acabou se transformando num dos melhores que li durante o final da adolescência/início da fase adulta: Gente como a gente, de Judith Guest, outra desconhecida, mas cujo livro acabou no ano seguinte servindo de roteiro para o filme de mesmo nome, na estreia de Robert Redford como diretor, ganhando o Oscar de melhor filme e direção.

Mas voltando ao livro Andar duas luas, bastou eu ler duas ou três páginas para me apaixonar pelo livro.  Logo fiz propaganda do livro e algumas amigas acabaram o lendo também e também comprando.   Uma dessas amigas, a Giselle Werneck, que é atriz e também escritora de livros infanto-juvenis (sugiro que leiam Guerreiras de Gaia), recentemente me contou que sua monografia usou como corpus o Andar duas luas sobre o tema “Símbolos de repouso e de movimento no processo de aprendizagem”.

Abaixo, postarei uma resenha que fiz sobre o livro. Espero que quem se interesse por uma literatura juvenil que não idiotifica a criança tenha nesse livro uma boa dica.

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Creech, Sharon. Andar duas luas; tradução de Fernando Santos; revisão da tradução Marina Appenzeller. São Paulo: Martins Fontes, 2006. Título original: Walk two moons. 257p.

Andar duas luas, de Sharon Creech, é um livro com uma história principal e várias outras paralelas e escondidas, que vão sendo contadas pela protagonista, a menina Salamanca, durante uma viagem de carro, de Ohio a Lewiston, em Idaho, cruzando de leste a oeste os Estados Unidos.  O título faz parte de um provérbio cheiene, e que misteriosamente aparece, assim como outros deixados em mensagens anônimas: “Não julgue um homem antes de andar duas luas com os mocassins dele”.

Salamanca, ou simplesmente Sal, tem 13 anos, e tem que enfrentar, e aceitar de forma resignada, várias mudanças em sua vida, todas decorrentes do inesperado desaparecimento de sua mãe um ano antes, tendo que se mudar de sua casa de fazenda na tranqüila Bybanks no estado de Kentucky, para a cidade de Euclides no vizinho estado de Ohio.  Foi então que seus avós paternos tiveram a idéia de levá-la para a referida viagem.

Durante a viagem, Sal conta uma história sobre Phoebe, uma menina de imaginação fértil que se tornou sua grande amiga, principalmente por Sal ter percebido que elas tinham muito mais coisas a ver do que o simples fato de estudarem na mesma sala. E tanto a história da viagem, como a que Sal conta durante o trajeto, contém várias outras histórias por trás: a dela própria, de sua mãe, de seu pai, da família de Phoebe, de um jovem misterioso chamado de louco, da igualmente misteriosa mulher Sal temia que pudesse tomar o lugar de sua mãe, a Sra. Cadáver, e sua mãe cega, e das estranhas mensagens que aparecem na escada da casa de Phoebe. E enquanto Sal chega mais próxima de seu destino final, os mistérios vão sendo revelados, não só os das histórias paralelas, mas também os de seu próprio mundo que ela ainda não entendia. 

É leitura que cativa o leitor. Ele viaja e conhece cada pedaço por onde Sal e seus avós passaram e ao mesmo tempo passa a entender cada personagem. Enfim, percebemos que a viagem de carro de Sal se transforma também na viagem de conhecimento, de aprendizagem, do mundo em sua volta e dela própria. No fim, ele se apaixona pelo livro e descobre a razão que o fez ganhar a Newbery Medal, que é considerado o principal prêmio de Literatura infanto-juvenil dos Estados Unidos.