Introdução às Histórias de Alexandre – em Paris

Hoje estava assistindo ao filme JULIE E JULIA, com a Merryl Streep, e para quem não o assistiu, vou dizer somente que tem uma moça que começa a escrever um blog diário contando sobre suas experiências com um famoso livro de receita.  Acabei me inspirando a voltar aqui.

Vou postar outro conto que escrevi e foi também selecionado num dos Concursos Literários da UFF.  Chama-se “Um Conto em Paris”.  Esse conto foi escrito, atendendo a uma exigência do concurso, de que deveria tratar sobre Paris.  Acabei inventando um jeito de colocar um personagem nordestino, com alguns amigos num morro carioca e, no meio disso tudo, uma visitinha na Cidade Luz.  Originalmente o título seria “Alexandre em Paris”.  Mas para entender melhor o conto (não que ele seja tão misterioso, ou algo do tipo), é necessário que o leitor conheça duas obras do Graciliano Ramos: uma, a mais famosa ou uma das mais famosas do grande mestre alagoano,  VIDAS SECAS; a outra é menos conhecida, HISTÓRIAS DE ALEXANDRE, que hoje praticamente só é encontrada numa edição conjunta com outras duas obras do Graciliano, Pequena História da República e  A terra dos meninos pelados – e a essa edição recebeu o título de Alexandre e outros heróis.

Vidas Secas traz uma família de retirantes nordestinos tentando escapar das agruras da seca no sertão nordestino. O personagem principal e chefe da família é “Fabiano”, casado com “Sinhá Vitória e com seus dois filhos, que não são chamados pelo nome no livro, apenas identificados como o “mais velho” e o “mais novo”.  Para quem não leu, posso dizer que vale muito a pena ler, e o que foi dito acima é suficiente para entender o conto.

Histórias de Alexandre é uma coletânea, concluída em 1938, de histórias  interligadas, com os mesmos personagens, e algumas com ligações intertextuais entre duas ou mais histórias, tendo como personagem principal um senhor fanfarrão e que vivia num local abandonado do sertão, mas que todos os dias recebia em sua casa amigos para que ele contasse suas histórias, todas carregadas de mentiras, seja por exagero, invenções ou mesmo uma lógica “alexandrina” para justificar tudo o que falava. Essa lógica, por exemplo, poderia querer mostrar que um olho poderia sair da vista espetado num espinho.  Essa lógica também indicava que a pessoa só veria metade das pessoas e das coisas que passassem em sua frente, e que o tal olho poderia ser simplesmente recolocado no local sem nenhum problema, mas caso o olho fosse colocado virado para o lado errado, ou seja, para trás, a pessoa veria o interior de sua cabeça.

A sua audiência era formada por sua esposa, Cesária, pelo cego Firmino, pelo curandeiro Gaudêncio, seu Libório, o contador de emboladas e violeiro, e por Das Dores, uma benzedeira de quebranto, que também era afilhada do casal Alexandre e Cesária. O cego Firmino, incrivelmente, parece ser o único a enxergar os exageros de Alexandre.

Eu sugiro que leiam o livro, mas caso não queira ler o livro, mas se tiver interesse em conhecer mais sobre cada uma das histórias, tem um resumo interessante delas no link abaixo:

http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/a/alexandre_e_outros_herois

Amanhã postarei o conto.

 

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2 Respostas to “Introdução às Histórias de Alexandre – em Paris”

  1. Carlos Benites Says:

    Valeu, Tati. Já estou também seguindo o seu blog e da Lele. Só não sei ainda como você colocou essa estrelinha…rs

  2. Eloisa Helena Says:

    Parabéns pelo incentivo à leitura e ao cinema. Adoro o estilo de Graciliano e considero ser um autor indispensável à leitura de qualquer pessoa que se oconsidere leitora!
    Quanto ao filme…comecei mas não consegui prosseguir rsrsr
    Abraços .

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