Archive for the ‘Literatura infanto-juvenil’ Category

Zé das Penas – Consuelo Ramos Sozzi

agosto 1, 2014

Zé das Penas
Recebi esta semana um livro infanto-juvenil com bastante ansiedade.  Os últimos que eu tive em mãos foram os que eu presenteei meus sobrinhos (adoro dar livro de presente) e os que tenho usado na minha pesquisa do Mestrado sobre a presença da cultura popular na literatura, principalmente o excelente “Histórias de Alexandre” de Graciliano Ramos. O livro que me chegou foi esse que aparece como título dessa postagem: Zé das Penas. Simplesmente adorei. É de se admirar que esse tenha sido o livro  de estreia de Consuelo, pois o que aparece nas letras do livro é uma autora com pleno domínio do ritmo de uma história, com uma fluidez tão natural e agradável que dá a impressão de que ela já escrevia para crianças há décadas.

Para não tirar a graça de quem ainda não leu o livro, mas para dar um pouco de água na boca, a história traz o mote do “quem aumenta um conto aumenta um ponto”, de um matuto que ao perceber que a comida estava faltando em sua casa, decide vender a galinha para poder comprar mantimentos, ou melhor, trocar a galinha pelos mantimentos. E partindo de algo tão simples, como simples é a gente daquele povoado, que seus personagens conseguem transformar em histórias de aventuras fabulosas, como só a sabedoria e cultura popular são capazes.

Sim, eu recomendo. O livro foi publicado pela editora Inverso, de Curitiba. Creio que deve ser mais fácil encomendar por lá. Como foi lançado há pouco, não sei como está a distribuição nas livrarias virtuais.

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Guerra dentro da gente – Paulo Leminski (*)

julho 8, 2013

(*) Esse texto é parte de um artigo acadêmico para o Curso de Especialização em Literatura Infanto-Juvenil da UFF, no ano de 2008.

Um artista eternamente em busca de paz

Paulo Leminski, que se define como um “bóia frio do texto, trovador apaixonado, cançonetista, apanhador de arrepios e acrobata”, e que diz “não sou um poeta de fim de semana, eu faço poesia sem parar”, é um artista de muitas faces, que produz em muitas áreas e que desde cedo chamou a atenção do público pela sua cultura, intelectualidade e genialidade.  Começou escrevendo poesias, mas de um jeito próprio e marcante, com poemas curtos que traziam sempre sua marca, com trocadilhos, usando ditados populares e até “haicais”. Considerado por muitos como um artista multimídia, também produziu durante muito tempo na área musical, como letrista e parceiro de muitos cantores brasileiros de renome, como Caetano Veloso, Torquato Neto e Moraes Moreira. Como um artista inquieto, também se tornou conhecido como tradutor de autores como James Joyce, John Lennon e Samuel Becket, entre outros. Além de uma vasta obra poética, onde ganhou grande visibilidade, e sendo inclusive bastante premiado, Leminski também teve uma boa obra em prosa. Também produziu biografias e ensaios e, por fim, decidiu escrever para o público infanto-juvenil, como a obra Guerra dentro da gente, lançada em 1986, e que é tratada no presente trabalho.

Leminski, por ter nascido ao final da segunda grande guerra, e ter vivido durante a época do início da guerra fria, a era “hippie”, a bossa-nova e vários movimentos literários e musicais, acabou tendo em sua formação toda essa influência e uma ampla base cultural, responsável por trazer ao público uma obra de grande qualidade, dando uma visão de mundo para todos que o lêem. Em Guerra dentro da gente, podemos enxergar Leminski e tudo o que ele pensa. Numa obra em que o próprio título já fala de guerra, mas uma guerra própria, que é enfrentada pelo indivíduo, dentro da gente, podemos visualizar o perfil do autor e sua personalidade pacífica. O poema de sua autoria Guerra sou eu, e a imagem em que aparece o manuscrito de outro poema do autor, Bom poema, parecem dar uma idéia, em poucas linhas, de uma visão do referido livro e do próprio autor e sua obra:

Guerra sou eu

guerra sou eu

guerra é você

guerra é de quem

de guerra for capaz

 

guerra é assunto

importante demais

para ser deixado

na mão dos generais

P. Leminski

(a pontuação, ou falta de, além do uso de minúsculas, são marcas do autor)

***

 Bom poema 

um bom poema 

* * * * *

Guerra dentro da gente

O presente livro tem como personagem principal Baita, que tem sua história contada desde criança, numa infância mal-tratada, com um pai truculento e uma mãe frágil, até sua velhice já como um grande chefe guerreiro de um reino. Ao vermos o início e o fim da história, podemos imaginar quantas mudanças ocorreram na vida desse menino. A primeira dessas reviravoltas se deu quando Baita encontra o velho Kutala numa ponte enquanto carregava lenha para sua casa. O velho era uma figura misteriosa e assim propôs ao menino ensiná-lo a arte da guerra, mas para isso ele precisaria estar no mesmo local em certa hora do dia. Para saber que horas que Kutala queria, Baita teria que desvendar uma espécie de adivinha (houve outra posteriormente). “Então, esteja aqui amanhã, quando a cor da água do rio passar da cor da asa do estorninho para a cor do nenúfar”. Foi o que disse o velho, mas o menino não fazia idéia do que seria “estorninho” e “nenúfar”. Consultou os pais, que ao ouvirem falar do velho logo se assustaram, dizendo que ele seria um espírito maligno que carregaria o menino para longe. Isso não assustou o menino, talvez porque mesmo que fosse verdade o que os pais o alertavam, ele não teria nada a perder, pois sua infância era sofrida demais, e o que poderia ser pior para ele do que um pai bruto e injusto com ele? Além disso, tinha o fato de que ele poderia ter contato com a arte da guerra, a arte que é ensinada somente a reis e generais, ou seja, pessoas poderosas. Ele correria o risco.

Logicamente não soube que hora seria aquela ligada ao estorninho e ao nenúfar, e foi repreendido pelo velho por não chegar na hora certa, dizendo que ele não estaria pronto para a arte da guerra. Mas deu-lhe outra chance, pedindo que voltasse no dia seguinte, e novamente com um segundo jogo de palavras para dizer a hora a chegar: “se você ainda quiser aprender a arte da guerra, esteja aqui amanhã, quando a voz do vento deixar de dizer adeus e começar a dizer venha.”  E no dia seguinte, mesmo achando que tinha conseguido ouvir a voz do vento dizendo tudo o que o velho havia dito que ele diria, novamente não conseguiu chegar na hora que o velho esperava.  Só que Kutala, mesmo irritado, disse que Baita poderia decidir o que fazer e quando, pois quem quer ser mestre da arte da guerra, “não pergunta aos outros o que deve fazer”. Decidiu ir naquela hora. Mas logo depois deparou com uma surpresa: ele fora enganado pelo velho que o levou para ser vendido como escravo. Essa foi a primeira das reviravoltas pelas quais Baita passou em sua vida, e isso mostra um traço interessante na formação de uma boa ficção, com um traço que não é contínuo, linear e sem surpresas e mudanças inesperadas (inesperadas, porém verossímeis). Outras mudanças ocorreram, algumas para testar a confiança de Baita em Kutala, e isso se tornou um dos principais conflitos vividos por ele em sua vida inteira, a de que deveria decidir se confiava ou não no que Kutala lhe propunha (e foram várias vezes por toda vida). Seria capaz de aprender a arte da guerra e Kutala lhe ensinaria mesmo a tal arte? E assim foi sua vida, cheia de conflitos e de decisões, onde tinha que aprender qual caminho a seguir, e de aprender com erros e acertos. E essa seqüência de decisões foi o seu maior ensinamento.  Quase sempre a princípio Kutala o trapaceava, mas depois ele aparecia sempre com um aprendizado novo. Baita chegava a sentir raiva por Kutala aparentar sempre ter razão no que falava e fazia.  Uma das principais aprendizagens de Baita foi de que “a arte da guerra faz parte da vida. Se você tem mesmo que aprender a arte da guerra, você tem que aprender a vida. E a vida só se aprende vivendo.”

E vivendo, Baita foi experimentando várias situações em que a violência estava presente, viva. No entanto, essa violência é totalmente pertinente. Isso mostra que um livro que seja voltado ao público jovem pode perfeitamente ter a violência como um de seus temas. A violência faz parte da vida. Como diz Nilma Lacerda em Cartas do São Francisco:

“Se fazemos literatura para crianças e jovens, não devemos nos furtar a esse encontro. Temas como morte, preconceito, guerra, suicídio, assassinato, tirania não têm por que estar ausentes dos livros destinados a crianças e jovens. A vida não é cor-de-rosa, e as crianças o sabem. O mundo não é de cordeiros, elas também o sabem e experimentam tanto a posição destes quanto a do lobo que se evidencia na sua crueldade, ou vem a disfarçá-la, fazendo-se carneiro entre carneiros. Como em outras questões, o guia essencial é a criança em nós, capaz de sabiamente marcar a diferença entre o conflito e o escândalo, entre a emoção e a degradação.”[1]

E foram várias e duríssimas vivências que Baita teve, de escravo, alimentando animais de circo, fugas, noites mal dormidas, pouca ou até nenhuma comida às vezes, ameaças de morte trabalhando num navio, prisioneiro, guarda do Reino e vários cargos de chefia até ocupar o cargo máximo de chefe dos Exércitos. Tudo isso não só com fatos, pois logicamente acompanhavam diversos personagens, e junto com fatos e personagens, as “idéias”. Entre os personagens temos Baita, Kutala, os pais de Baita, os marinheiros, os diversos trabalhadores do circo, o Rei, a Princesa e sua ama, os guardas do rei etc.  Entre os fatos, ou o enredo, temos as várias vivências experimentadas por Baita, na sua casa de infância, no circo, no navio, na floresta, na grande cidade, no Reino. E as idéias seriam tudo que Baita aprende, o que ele descobre da vida apenas “vivendo”, os caminhos que ele decide seguir, a arte da guerra, a arte da paz. O autor consegue entrelaçar esses três elementos que, como diz Antônio Cândido,

só existem intimamente ligados, inseparáveis, nos romances bem realizados. No meio deles, avulta a personagem, que representa a possibilidade de adesão afetiva e intelectual do leitor, pelos mecanismos de identificações, projeção, transferência etc. A personagem vive o enredo e as idéias, e os torna vivos.”.[2]

Gide também se refere, com um exemplo que mostra o que ocorre em Guerra dentro da gente: “Tento enrolar os fios variados do enredo e a complexidade dos meus pensamentos em torno destas pequenas bobinas vivas que são cada uma das minhas personagens”. [3]

A história é narrada em terceira pessoa, de forma onisciente, mas que, ao mesmo tempo, deixa o leitor tirar suas próprias conclusões.

“Era um velho absolutamente comum. A única coisa de especial é que ele estava ali, naquele momento.” (p. 7)

“A noite estava fria. E o vento assobiava. Por um momento, Baita chegou a imaginar que o vento dizia algo como adeus. Ou seria venha?” (p. 13)

“Só uma coisa atormentava Baita: o desaparecimento da Princesa. Por isso não parava de tentar localizá-la. (…)Ele, no fundo, sabia que era ela. Mil vezes teve vontade de encontrá-la, abraçá-la (…) Mas ele a amava demais para isso.” (p. 61)

Estão presentes os arquétipos, que interdependem, pois um atua em função do outro, do herói – Baita – e do velho sábio, Kutala. Baita tem sempre pela frente um desafio, uma tarefa, sempre com objetivo de evoluir e aprender. Por outro lado, temos Kutala sempre na tarefa de orientar Baita em seu crescimento, mas nunca abertamente, sempre com um conhecimento disfarçado como um desafio para que o herói evoluísse. Um age junto do outro. Kutala pode também representar o arquétipo do ajudante, que está sempre junto do herói, mesmo que Baita não reconheça sempre que ele está ali para auxiliá-lo. Baita só é herói porque existe Kutala, e Kutala só representa o sábio porque existe o herói que tem o perfil para aprender a arte da guerra. Ele não ensinaria a arte da guerra a qualquer um que não mostrasse que pudesse cumprir todo o ritual de aprendizagem e evolução que Baita teve.

A aprendizagem que Baita tem é a mesma que o leitor também tem. Com tantas reviravoltas, sua sabedoria vai crescendo paralelamente ao crescimento como pessoa e amadurecimento de Baita. Para chegar até o total amadurecimento ao final de sua vida, o velho apresentou a ele o outro lado da vida, como a traição, a fome e a exploração e abuso de força e poder. Tudo isso servia para que ele entendesse outros valores que também seriam importantes para conhecer e aprender a arte prometida pelo Velho. A arte da guerra, que tanto foi procurada pelo menino Baita, foi mostrando que a guerra poderia não ser só a guerra dos homens, mas a guerra dentro dos homens. A guerra pode ser também a afirmação do amor e da paz, mesmo sem deixar de lado os valores de um verdadeiro guerreiro, como coragem (e medo), força (e fraqueza), fibra, dureza, virilidade e atenção. Heráclito dizia que “a guerra é o pai e o rei de todas as coisas”. A agressividade e a violência também são inerentes ao homem, assim como a luta pela sua preservação. A humanidade cresceu também com esses valores, e muitas vezes em função deles. Porém, a vida é um dom bastante precioso para que ela seja relegada somente a sentimentos vulgares onde só ódio e violência sejam preponderantes. E um dos maiores aprendizados que Baita teve, e o leitor também, é que todos esses sentimentos se bem canalizados podem representar uma fonte de vida e não de morte.


[1] Nilma G. Lacerda. Cartas do São Francisco. São Paulo: Global, 2003. p.20.

[2] Antônio Cândido. A personagem do romance, in Cândido, A. et al.A personagem de ficção. São Paulo: Perspectiva, 2007. p. 54.

[3] Cândido, 2007, p. 54  apud Gide, Journal dês Faux-Monnayeurs, 6.me edition, Gallimard, Paris, 1927, p. 26.

Um conto em Paris

janeiro 5, 2011

Um Conto em Paris

O sol ainda batia naquele dia quente de Verão quando Seu Fabiano maldizia o Governo, que tinha inventado que 6 da tarde passava a ser 7 horas bastando assinar um papel. Em frente da casa, olhava a parte baixa do Morro, aguardando os amigos que o visitavam todos os dias naquele mesmo horário. Fabiano pensava de quando veio para o Rio, escapando de mais uma longa seca, com Sinhá Vitória e seus dois filhos que conseguiram se salvar do sofrimento, da fome e doenças no Sertão.  Mas os filhos não tiveram a mesma sorte no Rio. O filho mais velho morreu vítima da polícia, que o confundiu com um ladrão. O mais novo morreu pelos bandidos que imaginaram que ele fosse informante da Polícia. Pensava também no milagre que o Rio fez ao transformá-lo num grande proseador, depois de ser por anos de viagens tentando procurar por uma vida melhor para ele e os filhos, sempre com poucas palavras. Parou de pensar quando os amigos chegaram. Na sala pequena estavam acocorados o amolador de facas Seu Honório, que já cochichava ao ouvido da mãe-de-santo Dona Fortunata sobre um trabalho encomendado. Dona Sacha, uma senhora de apartamento, como Fabiano costumava dizer, sentava-se sobre uma lata que fazia as vezes de cadeira, e encarava Seu Ezequiel, um negro velho, ex-mendigo de rua, que morava com Seu Fabiano e a Sinhá há cinco anos, e que estava de pé. Dona Vitória iniciou o falatório:

– Paizinho, por que você não conta de quando você foi intimado a ir a tal de Paris atrás daquele alemão de bigode fino que mandava matar judeu?

– Seu Honório, a palavra de Vitória para mim é uma ordem, é o próprio Evangelho. Concorda comigo, Seu Ezequiel, Dona Sacha e Dona Fortunata?

– Somos todos ouvidos, Major – disse o mendigo apoiado pelas duas senhoras.

– Saberão vossemecês que esse caso estava meio esquecido no meu quengo. Mas Vitória tem o mau costume de sapecar essas lembranças em cima da gente de supetão. Tudo começou quando algumas estripulias minhas de quando vivia no sertão, foram parar nos ouvidos de um doutorzinho que foi prefeito nas Alagoas, Dr. Graciliano, e que era metido que só ele a escrever bonito de coisas sobre o sertão de Deus. Pois não é que o tal doutor decidiu pegar minhas histórias e colocar em letra de forma em alguns folhetos nas feiras do povaréu? Pois acreditem. E as histórias começaram a correr pelas cidades grandes. E esses moços de letras procedem desse jeito, cheios de floreios, estiram o negócio, inventam, pois precisam encher papel. Quando me mostraram o folheto, descobri que o doutorzinho me deu nome de Alexandre, e Sinhá Vitória passou a ser Cesária. Veja só que absurdo, Dona Sacha. Tempos depois, um artista da televisão também mangou comigo, me mostrando como um mentiroso de nome Pantaleão. E logo eu que detesto exageros. Não reclamo que falem sobre mim, mas quero que digam só o que eu fiz. Se alguma vez vossemecês ouvirem falar de minhas histórias em cantorias ou em folhetos, saibam que as nove-horas são astúcias do poeta.  Imaginem que ele escreveu que num certo dia eu estava numa canoa que afundava e, para salvar minha pele e das beatas lá presentes, fiz outro furo para que a água saísse por ele. Não digo que isso eu não faria, mas por que não contar o certo, que eu me joguei no São Francisco, amarrei uma corda na canoa e nadei até a outra margem puxei a bicha? Mas não, ele gosta dos despotismos. Seu Ezequiel está aí coçando a barba por falta de banho ou quer falar alguma coisa? Fala logo, homem de Deus!

– Já que o senhor insiste… O senhor devia ser muito forte para nadar e …

– Seu Ezequiel está duvidando de minha palavra? Se estiver, desembucha e eu paro aqui mesmo, pois não gosto que desconfiem de mim. Do contrário, continuo.

Como o negro calou-se, Seu Fabiano prosseguiu.

– Mas saiba o senhor que eu até mostraria a corda que eu usei. Isso se Vitória não a tivesse usado para secar as roupas e de tanto uso se finou. A Sinhá está aí para confirmar o que eu disse, pois ela estava do outro lado do rio, rezando para o Padre Cícero – e a mulher confirma com a cabeça. Mas me deixem continuar, pois se depender do Seu Ezequiel eu nunca chego a tal Paris. E nesse sucesso dos folhetos, um doutor general lá dos estrangeiros também ficou sabendo, e estava encacholando uma idéia de vencer a Guerra. Vocês devem se lembrar dessa guerra, vinha japonês voando raso e se jogava sobre os navios americanos. Vi uma vez no cinema. Um alemãozinho que tinha muito orgulho de seu bigode, invadiu a tal Paris e mais outros países da Europa. Dizem que o povo dessa Paris não gosta de banho. Vejam vossemecês, a gente do sertão andava mais de dez léguas para encontrar um bocadinho de água e a gringalhada cheia de perfume não era chegada. O plano do doutor americano era de mandar os seus meganhas prenderem o bigodudo, mas o diacho do homem era escorregadio que nem cobra, tinhoso que só ele. Desse jeito eles espalharam o boato que mandariam 10.000 navios lá na praia de Normandia e achavam que assim o alemão iria correndo para Paris que era ali pertinho, e de lá comandar seus homens. Claro que 10.000 navios era um exagero digno daquele prefeito. Eles mandaram só dois navios bem pequenos. Entendem? Era só um disfarce. E não é que o tal gringo estava certo? Os alemães foram quase todos para aquela praia. Mas prender o alemão era difícil. O gringo leu no folheto do prefeito uma história cheia de exageros, que dizia que eu havia acertado a orelha e o pé de um veado com um só tiro. Uma invencionice dos diachos. E eu vou ter que esclarecer essa história para depois continuar com a história de Paris. O que ocorreu foi que uma mosca perturbava as vacas da fazenda. As vacas ficaram agitadas, e quis matar a varejeira. A danada fugiu lá pro morro. Eu que morro de raiva desses bichos nojentos, que teimavam de posar sobre a carne das vacas do sertão, peguei minha espingarda e tasquei-lhe um tirambaço. Azar do veado que a mosca tinha resolvido posar justamente na sua orelha.  Vitória foi quem tratou do veado, que infelizmente acabou finando e depois parou no nosso bucho. Mas antes que Seu Ezequiel venha com perguntas inconvenientes, eu prossigo. Por culpa do tal Graciliano, o gringo acreditou que eu podia atirar no alemãozinho em Paris lá do meio do mar. O plano dos gringos era esperar que eu o acertasse para depois libertar a cidade.

– Seu Fabiano, o senhor sabe falar estrangeiro?

– Saber não sei mais, mas na época eu sabia. Deram-me um livreto para aprender a língua enquanto eu viajava das Alagoas até a Europa. Aprendi, conversei com eles, e depois desaprendi. Para que eu haveria de continuar sabendo se lá no sertão e aqui no morro só tem ignorante que nem sabe falar brasileiro? Mas aí o extraordinário aconteceu. Eu ouvia uma voz em língua gringa de alguém me chamando. Olhei e vi um papagaio muito falador, que falava estrangeiro. Disseram que era de um pirata e que depois passou a pertencer ao navio do americano. Assustei-me, pois só conhecia dois papagaios assim, mas que já haviam morrido. O bicho disse que era primo de um papagaio brasileiro, mas que decidiu voar pelo mundo e chegou ao navio do pirata. Disse ainda que o tal pirata tinha lhe dado um tesouro que não era para contar aos gringos, mas que resolvera contar para mim porque viu que eu era homem de moral. O tesouro era uns óculos que faziam enxergar muito distante. Eu tinha uma vista normal, mas o máximo que conseguia era acertar num passarinho que posasse lá nos braços do Cristo – e apontou para o Corcovado, e todos o olharam com admiração – Agora, o que o gringo queria era um despropósito, um despotismo sem tamanho. Acertar o alemão lá do mar? Mas os óculos estavam ali para me ajudar. Pensei em tudo. Era de manhã quando estava a algumas léguas da tal Paris. Coloquei os óculos, vi a foto do alemão e comecei a olhar para lá. No meio de uns soldados, perto de um monumento em forma de arco eu o avisto. Peguei minha espingarda lazarina, limpei o cano por dentro e mudei a espoleta que já estava velha. Ele estava num uniforme preto. Fiquei esperando o danado se virar. Não queria feri-lo para machucar, pois sou de paz, só queria desmoralizá-lo. Ouvi um dia a história de um cabra que tinha as forças nos cabelos. E como o alemão era muito apegado ao bigode, percebi que estava ali sua força. Fiz pontaria, puxei o gatilho e PUM. Só que na hora passou uma borboleta que fez o alemão virar o rosto e acabei raspando só o lado direito do bigode. Aquilo o assustou, mas o danado conseguiu se esconder. Só que o tiro foi o suficiente pra que os alemães se assustassem. Aproveitei a confusão e mandei o navio se aproximar. Depois, pedi uma canoa e fui remando sozinho o resto da manhã. Cheguei de tarde lá naquele Arco onde tinha visto o alemão. Deram depois o nome de Arco do Triunfo, pois fora ali que comecei a triunfar. Comecei a caçar o meio-bigodudo. Tinha que terminar o serviço para ele ficar desmoralizado perante os seus soldados. Comecei a olhar por toda cidade. Tinha ouvido falar de uma Bastilha, mas não a encontrei. Disseram-me que ele poderia estar numa tal de Catedral de Notre Dame, onde tinha vivido um corcunda, mas nada do bigodudo lá. Já era noite, quando resolvi subir no alto da catedral. De repente avisto uma enorme torre de ferro em formato de triângulo. Nunca tinha visto tanto ferro assim. Um despotismo que daria para fazer ferraduras para todos os cavalos do sertão e ainda sobrava. Era tão grande que se a cravassem no pé deste morro, esta casa não estaria nem na metade. No alto da torre estava o alemão, mas com o bigode inteiro. Aquilo me encafifou. Peguei então os óculos, e vi que o outro lado era tinta. Minha tarefa era tirar o outro lado do bigode, mas ainda restaria o lado pintado. De repente, achei a solução. Apontei e PUM. A bala raspou o bigode que restava. Depois vi o rosto do alemão igual ao de um neném. Seu Ezequiel está aí doido para perguntar sobre o bigode feito de tinta? Chovia, e a bala pegou a primeira gota, que seguiu e pegou outras no caminho. Quando a bala chegou no alemão, levava mais de meio litro d´água, que lavou o bigode de tinta. Sem bigode, ele perdeu o respeito dos oficiais, que resolveram se render. Bem, essa é a história verdadeira. As que contam nos livros são invencionices do povo do estrangeiro. Não é isso mesmo, Vitória?

Carlos Benites, agosto de 2009

Texto finalista no III Prêmio UFF de Literatura

Introdução às Histórias de Alexandre – em Paris

janeiro 5, 2011

Hoje estava assistindo ao filme JULIE E JULIA, com a Merryl Streep, e para quem não o assistiu, vou dizer somente que tem uma moça que começa a escrever um blog diário contando sobre suas experiências com um famoso livro de receita.  Acabei me inspirando a voltar aqui.

Vou postar outro conto que escrevi e foi também selecionado num dos Concursos Literários da UFF.  Chama-se “Um Conto em Paris”.  Esse conto foi escrito, atendendo a uma exigência do concurso, de que deveria tratar sobre Paris.  Acabei inventando um jeito de colocar um personagem nordestino, com alguns amigos num morro carioca e, no meio disso tudo, uma visitinha na Cidade Luz.  Originalmente o título seria “Alexandre em Paris”.  Mas para entender melhor o conto (não que ele seja tão misterioso, ou algo do tipo), é necessário que o leitor conheça duas obras do Graciliano Ramos: uma, a mais famosa ou uma das mais famosas do grande mestre alagoano,  VIDAS SECAS; a outra é menos conhecida, HISTÓRIAS DE ALEXANDRE, que hoje praticamente só é encontrada numa edição conjunta com outras duas obras do Graciliano, Pequena História da República e  A terra dos meninos pelados – e a essa edição recebeu o título de Alexandre e outros heróis.

Vidas Secas traz uma família de retirantes nordestinos tentando escapar das agruras da seca no sertão nordestino. O personagem principal e chefe da família é “Fabiano”, casado com “Sinhá Vitória e com seus dois filhos, que não são chamados pelo nome no livro, apenas identificados como o “mais velho” e o “mais novo”.  Para quem não leu, posso dizer que vale muito a pena ler, e o que foi dito acima é suficiente para entender o conto.

Histórias de Alexandre é uma coletânea, concluída em 1938, de histórias  interligadas, com os mesmos personagens, e algumas com ligações intertextuais entre duas ou mais histórias, tendo como personagem principal um senhor fanfarrão e que vivia num local abandonado do sertão, mas que todos os dias recebia em sua casa amigos para que ele contasse suas histórias, todas carregadas de mentiras, seja por exagero, invenções ou mesmo uma lógica “alexandrina” para justificar tudo o que falava. Essa lógica, por exemplo, poderia querer mostrar que um olho poderia sair da vista espetado num espinho.  Essa lógica também indicava que a pessoa só veria metade das pessoas e das coisas que passassem em sua frente, e que o tal olho poderia ser simplesmente recolocado no local sem nenhum problema, mas caso o olho fosse colocado virado para o lado errado, ou seja, para trás, a pessoa veria o interior de sua cabeça.

A sua audiência era formada por sua esposa, Cesária, pelo cego Firmino, pelo curandeiro Gaudêncio, seu Libório, o contador de emboladas e violeiro, e por Das Dores, uma benzedeira de quebranto, que também era afilhada do casal Alexandre e Cesária. O cego Firmino, incrivelmente, parece ser o único a enxergar os exageros de Alexandre.

Eu sugiro que leiam o livro, mas caso não queira ler o livro, mas se tiver interesse em conhecer mais sobre cada uma das histórias, tem um resumo interessante delas no link abaixo:

http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/a/alexandre_e_outros_herois

Amanhã postarei o conto.

 

Andar duas luas (Walk two moons) – Sharon Creech

março 19, 2010

Quando esse livro foi parar nas minhas mãos (sim, esse título acima é referente a um livro, e o nome ao lado é o da autora), foi meio sem querer.  Era o último de uma lista, ou seja, ninguém tinha pegado em duas semanas seguidas.  Fiquei meio desconfiado, e mais ainda quando meu preconceito bateu por saber que a autora era americana.  Ninguém ali na turma de Literatura Infanto-Juvenil a conhecia, mas havia a indicação de um importante prêmio do referente americano ao nosso FNLIJ.  Besteira minha. Na Graduação, curti tanto a literatura norte-americana quanto a inglesa, e se for andar bem mais p’ra trás chego a 1980 quando um outro livro, também de uma autora americana, acabou parando sem querer nas minhas mãos, e acabou se transformando num dos melhores que li durante o final da adolescência/início da fase adulta: Gente como a gente, de Judith Guest, outra desconhecida, mas cujo livro acabou no ano seguinte servindo de roteiro para o filme de mesmo nome, na estreia de Robert Redford como diretor, ganhando o Oscar de melhor filme e direção.

Mas voltando ao livro Andar duas luas, bastou eu ler duas ou três páginas para me apaixonar pelo livro.  Logo fiz propaganda do livro e algumas amigas acabaram o lendo também e também comprando.   Uma dessas amigas, a Giselle Werneck, que é atriz e também escritora de livros infanto-juvenis (sugiro que leiam Guerreiras de Gaia), recentemente me contou que sua monografia usou como corpus o Andar duas luas sobre o tema “Símbolos de repouso e de movimento no processo de aprendizagem”.

Abaixo, postarei uma resenha que fiz sobre o livro. Espero que quem se interesse por uma literatura juvenil que não idiotifica a criança tenha nesse livro uma boa dica.

***

Creech, Sharon. Andar duas luas; tradução de Fernando Santos; revisão da tradução Marina Appenzeller. São Paulo: Martins Fontes, 2006. Título original: Walk two moons. 257p.

Andar duas luas, de Sharon Creech, é um livro com uma história principal e várias outras paralelas e escondidas, que vão sendo contadas pela protagonista, a menina Salamanca, durante uma viagem de carro, de Ohio a Lewiston, em Idaho, cruzando de leste a oeste os Estados Unidos.  O título faz parte de um provérbio cheiene, e que misteriosamente aparece, assim como outros deixados em mensagens anônimas: “Não julgue um homem antes de andar duas luas com os mocassins dele”.

Salamanca, ou simplesmente Sal, tem 13 anos, e tem que enfrentar, e aceitar de forma resignada, várias mudanças em sua vida, todas decorrentes do inesperado desaparecimento de sua mãe um ano antes, tendo que se mudar de sua casa de fazenda na tranqüila Bybanks no estado de Kentucky, para a cidade de Euclides no vizinho estado de Ohio.  Foi então que seus avós paternos tiveram a idéia de levá-la para a referida viagem.

Durante a viagem, Sal conta uma história sobre Phoebe, uma menina de imaginação fértil que se tornou sua grande amiga, principalmente por Sal ter percebido que elas tinham muito mais coisas a ver do que o simples fato de estudarem na mesma sala. E tanto a história da viagem, como a que Sal conta durante o trajeto, contém várias outras histórias por trás: a dela própria, de sua mãe, de seu pai, da família de Phoebe, de um jovem misterioso chamado de louco, da igualmente misteriosa mulher Sal temia que pudesse tomar o lugar de sua mãe, a Sra. Cadáver, e sua mãe cega, e das estranhas mensagens que aparecem na escada da casa de Phoebe. E enquanto Sal chega mais próxima de seu destino final, os mistérios vão sendo revelados, não só os das histórias paralelas, mas também os de seu próprio mundo que ela ainda não entendia. 

É leitura que cativa o leitor. Ele viaja e conhece cada pedaço por onde Sal e seus avós passaram e ao mesmo tempo passa a entender cada personagem. Enfim, percebemos que a viagem de carro de Sal se transforma também na viagem de conhecimento, de aprendizagem, do mundo em sua volta e dela própria. No fim, ele se apaixona pelo livro e descobre a razão que o fez ganhar a Newbery Medal, que é considerado o principal prêmio de Literatura infanto-juvenil dos Estados Unidos.

Ainda a cultura de e para crianças (e adolescentes)

fevereiro 27, 2010

Complemento o tema do último post, com algo que tem a ver com o que comecei a nele falar e também com o que escrevi no post sobre Bakhtin, quando comentei sobre o projeto desenvolvido lá no Liceu Nilo Peçanha.

Hoje, antes de jogar jornais velhos fora, fui passando os olhos no que de relevante tinha em cada um. Me detive por um bom tempo nessa tarefa até chegar num artigo do Zuenir Ventura falando sobre a formação de leitores, basicamente focando os adolescentes. Confesso que , no início do artigo, cheguei a ter a tendência a criticá-lo e pensei até em escrever para o autor do artigo. Mas essa vontade durou pouco tempo, e logo no início passei a ver que seu ponto-de-vista muito se aproximava do meu.  O motivo do meu inicial pré-conceito foi que ele citou alguns clássicos da literatura brasileira para criticar as escolas, que, assim, estariam de certa forma jogando contra, ou seja, ensinando como não formar leitores. A minha tendência inicial foi de reclamar. “Ora, como ele ousa falar mal de Lima Barreto, José de Alencar, Oswald de Andrade e Machado de Assis?”.  Mas logo vi que tal não era a intenção do autor, pois não falava mal desses grandes nomes de nossa literatura. Na verdade, ele criticava era uma falta de critério ou mesmo de bom senso para iniciar nossos jovens na literatura. Me lembrei que quando tinha meus 12/13 anos, sofria para ler quase todos os livros indicados na escola, tanto da literatura brasileira como da internacional . Só alguns que eu tive boas lembranças, como o húngaro “Meninos da Rua Paulo”, de Ferec Molnar, “As aventuras de Tom Sawyer” (que me incentivou a procurar na biblioteca “As aventuras de Huckleberry Finn”), ambos de Mark Twain. Esses foram livros lidos na fase que hoje é chamada de Ensino Fundamental, e lembro como capenguei para ler “O príncipe e o mendigo”, junto com algumas leituras que simplesmente detestei na época, como “Uma Nota de Cem”, “Memórias de um cabo de vassoura” e “O Menino de asas”.  Já contos maravilhosos de Machado de Assis, como “A Missa do Galo” ou “A cartomante”, eram lidos como se estivesse sendo forçado a carregar um saco de 30kg de cimento.  Por outro lado, no mesmo colégio, fui incentivado, e respondi positivamente, a escrever poesias. Durante um ano e meio, escrevia compulsivamente e até participei de um concurso de poesias, ficando em terceiro lugar. Lembro que, na escola, eu era um entre dezenas. Também escrevi junto com um grupo de 3 amigos, uma peça, que também foi inscrita num concurso, também terminando em terceiro lugar. Dificilmente eu e meus amigos teriam produzido algo se não fossem também bons leitores.

No Ensino Médio, gostei de “O Quinze”, mas recordo que o início foi de grande sofrimento até engrenar a leitura do romance de Raquel de Queiroz. “Música ao longe”, de Érico Veríssimo, foi de grande prazer, mas acredito que a professora de Português, Dona Judith, foi de grande importância para que tenhamos gostado do livro.  Já outra professora quis introduzir no grupo “Os Lusíadas”. Lembro que a turma tomou uma bronca tão grande com a professora que, nos bastidores, era chamada por nós de “amante de Camões”.  Logicamente, Camões não caiu no nosso gosto.

Quero deixar claro que gostava de ler. Pelo menos gostava bem mais do que a maior parte dos adolescentes com que convivia. Li a coleção completa da obra para crianças de Monteiro Lobato, sendo que alguns livros do Lobato eu cheguei a ler 4 ou 5 vezes.  Tinha o costume de me tornar sócio de bibliotecas, pegando às vezes dois ou três livros por vez. Quando ganhava um dinheiro extra, comprava gibis da Mônica, Cebolinha, Tio Patinhas e Pato Donald.  Isso mostra como um aluno que gostava de ler podia considerar tedioso a tarefa dada por nossos professores. Muitas das vezes o livro pode ser o certo, mas não é trabalhado da melhor forma, daí o resultado pode ser catastrófico.

Bem, essa questão de formação de leitores passa por várias questões, mas o primeiro ponto é o que o Zuenir tocou levemente, o do prazer da leitura. O ato de ler tem que andar junto com o sentimento de prazer. Não significará que os leitores acabarão transformando-se em escritores de contos (como hoje eu faço), quadrinhos (como o João, do post anterior), poesias, músicas, peças teatrais, telas ou qualquer outra forma que liberte sua criatividade, mas será importantíssima para a formação cultural desse leitor.

Bem, já é madrugada. Se tiver que acertar algo, amanhã eu edito.

Um abraço a meus poucos (e bons) leitores.

Cultura de e para crianças

fevereiro 27, 2010

Depois do último post, vinha pensando no que escrever. Coincidentemente, recebi um recado de minha irmã “paulista” e começamos a conversar sobre meu sobrinho e afilhado, este sim paulista. Cutucando no perfil do orkut de minha irmã, descobri que meu afilhado tinha um blog.  Pensei, vou ter que falar sobre isso.  Antes de continuar o tema em outro post, deixo abaixo o link para o blog. É interessante, como a criança é capaz de produzir textos, seja de que forma for, e muitas vezes esse produto é ignorado e descartado, quando não incentivado.  Minha outra irmã, que além de dirigir filmes, é uma das responsáveis pela Revista Zé Pereira, publicou num dos números um dos quadrinhos feitos pelo João, meu afilhado.  Pode ser que daqui a pouco ele se desinteresse e passe a curtir outras descobertas, mas garanto que essa fase será importantíssima na sua formação cultural.

Blog: http://www.joaodeazevedo.blogspot.com/

Revista Zé Pereira e os desenhos do João:

http://www.revistazepereira.com.br/plano-9/

http://www.revistazepereira.com.br/um-estranho-numa-terra-estranha/#comments