Archive for the ‘livros’ Category

O saci

julho 6, 2013

Você revisa o texto que vai enviar para a EdUFF uma, duas, três … seis vezes. Olha todas as páginas, pois a gente sempre  esquece de incluir uma vírgula ou coloca outra desnecessariamente. Ou então pode ter um verbo mal colocado, ter que acertar uma coesão,  cortar uma parte pequena, trocar uma frase, diminuir aqui e ali, pois eles pedem que o texto tenha quatro páginas no máximo. Daí lembra que precisa ainda incluir a numeração das páginas e então corta mais um pouquinho. Revisa mais três vezes por conta das alterações. O total de revisões do texto inteiro deve ter ido a mais de dez. Aí você fica feliz por completar o trabalho perfeito e o envelopa e deixa na editora, com o sentimento de dever cumprido.
Dia seguinte liga para o amigo, conta sobre o texto e aproveita para abrir o arquivo. Aí você, com cinco segundos após ter aberto o texto, logo dá de cara com aquele errinho NO PRIMEIRO PARÁGRAFO. Logo o primeiro parágrafo que foi o que você mais mexeu e cortou. Estava lá desde o princípio e não o encontrei no meio das revisões. Então lembro da imagem feita por Monteiro Lobato, que dizia que depois de enviar o livro para a editora o errinho aparece na figura de um saci, que fica acenando para você, sorrindo com ar de deboche.

 

A menina que vendia livros – ou a menina (da) Travessa

janeiro 21, 2011

Outro dia, proseava com um amigo e uma amiga sobre coisas corriqueiras e, conversa vai, conversa vem, essa amiga nos perguntou o que achávamos de algumas mulheres em termos de charme, beleza etc. Começamos a concordar sobre umas e discordar sobre outras. Algumas vezes eu tinha a mesma opinião de minha amiga e outras de meu amigo, mas em nenhuma das vezes houve opinião unânime entre os três. E o assunto morreu ali.

Dias depois, eu e meu amigo voltamos ao mesmo tema, em função de uma discordância quanto a uma mulher específica. Não há necessidade de dizer nomes, que os minguados leitores provavelmente não conhecerão, portanto, de nada valerá a curiosidade.  Além disso, no caso de conhecerem, poderemos criar um desnecessário desconforto.

Da moça citada, passamos para famosas, e o rumo do bate-papo mostrava que gosto cada um tem o seu. Porém concordamos que nem sempre aquela beleza ampla e publicamente cultuada era a que nos atraía.

Aí o amigo, para dar mais realidade à nossa teoria, citou uma famosa desconhecida, que trabalha na Livraria Travessa da Sete de Setembro. Disse maravilhas sobre tal mulher. Esculpi sua imagem em minha mente e na semana seguinte, quando estive no Centro do Rio e já me dirigia para voltar à Cidade Sorriso, lembrei da belezura da Travessa e mudei o trajeto.

Chegando lá, passei os olhos em todos os cantos, todas as vendedoras, no café, na porta entreaberta do escritório, das moças que saíam para o almoço, nos balcões de pagamento e recebimento dos livros e … nada.  Devo ter ficado lá mais de uma hora, mas alguma coisa me dizia que ou não tinha olhado com os mesmos olhos que meu amigo teve, ou então não procurei direito.  Foi realmente frustrante, mesmo sabendo que fui apenas para contemplar aquela famosa desconhecida, que continuou desconhecida.

Isso significa que  terei que voltar lá, mas dessa vez levarei meu amigo.